domingo, 31 de dezembro de 2017

Olhar pra dentro - Pe. Fábio de Melo


Alimentando a nossa fé - Pe. Fábio de Melo


Vênus e Cupido (Afrodite e Eros)


Esses dois deuses romanos, mãe e filho, chamados de Afrodite e Eros pelos gregos, promoveram a devastação desde o começo. Para simplificar, nos referiremos a eles como Vênus e Cupido, mesmo apesar de muitas das histórias que os envolvem terem originado na Grécia, antes de serem adotados pela mitologia romana. Em ambas as culturas, as flechas do Cupido poderiam atingir qualquer criatura e despertar nele ou nela a reação que chamamos de amor. Com apenas um tiro, Plutão, o rei do submundo, se apaixonou. Cupido até fez com que Apolo, o deus da razão, se apaixonasse.

Vênus é a deusa do prazer sexual, rejeitada como sendo inerentemente pecadora, em especial após os textos de Agostinho, no século IV. Mas vamos aqui considerar Vênus e Cupido como as personificações dos aspectos positivos de pessoas comuns.

O amor não é algo que possamos definir. Como posso compreender o significado da palavra se eu declaro amar minha esposa, meus filhos, meu cachorro e meu carro? As únicas coisas que eles têm em comum são que todos  custam dinheiro e precisam ser lavados, mas isso não pode ser usado como analogia aceitável para o amor.

Não podemos separar o amor romântico de Vênus e sua personificação de desejo sexual. Mas, para preservar a ignorância das crianças, costumamos representar o amor como um pequeno e fofo querubim, o Cupido, e o celebramos no Dia dos Namorados, sempre tomando muito cuidado para não mencionar sua mãe.

Imaginar o Cupido como um deus gordinho, brincalhão e infantilizado é uma alusão à sua personificação romana. Por outro lado, para os gregos, ele era um homem voluptuoso e detentor de uma intimidante força primordial - o mais belo de todos os deuses. Só a  visão dele poderia fazer os humanos perderem o chão, e além do mais tinha o poder de controlar nossa mente. Eros (o Cupido) era uma força primitiva e incontrolável que muitas vezes fazia com que pessoas que não tinham nada a ver umas com as outras se apaixonassem - um exemplo do poder do amor sobre a racionalidade. Esse tema foi recorrente ao longo da história e atingiu seu auge cômico em Sonho de uma noite de verão, a famosa peça de Shakespeare. Um tratamento moderno desse cenário é encontrado no conto de Isaac Asimov, The Up-to-Date Sorcerer. Nessa história, pessoas sob a influência de uma poção do amor se apaixonam perdidamente somente para serem curadas pela realidade do casamento.

Também Cupido se apaixonou. Nesse mito, Vênus sentiu-se ameaçada pela beleza de uma mortal, Psique, e enviou Cupido para fazer com que a donzela se apaixonasse por um monstro. Mas, quando Cupido viu Psique, ficou extasiado e a desposou. Como vingança, Vênus matou Psique, mas Cupido ressuscitou sua noiva, que se tornou uma deusa, bem como o filho deles. Mais uma história de morte, ressurreição e elevação ao status de divindade. O amor faz dessas coisas.

O poder de Cupido é fonte de ansiedade para aqueles que desejam uma vida organizada e harmoniosa. Uma pessoa pode estar vivendo uma existência despreocupada quando o romance floresce e de repente se vê escravo do amor.

Enquanto as setas de Cupido estiverem voando, qualquer um pode ser atingido sem aviso, às vezes repetidamente. A natureza aleatória desses eventos faz com que a vida seja imprevisível. Entretanto, a passagem do tempo pode reduzir nossa volúpia e controlar o Cupido. Como um filósofo muito sabiamente observou, a idade pode cortar suas asas, esfriar nossas paixões e permitir que nosso intelecto finalmente funcione sem barreiras. Mas justamente quando achamos que estamos seguros, eis que surge o Viagra.


(texto publicado no livro As pessoas mais importante do mundo que nunca viveram de Allan Lazar, Dan Karnan, Jeremy Salter)

Promessas de Ano Novo x Realidade - Seiiti Arata


O erótico e o contemporâneo - Viviane Mosé (Cabaret Valentino)


Pensem em um projeto de vida para 2018 - Leandro Karnal


sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Luke Skywalker (o herói de todos os heróis)


O herói de Guerra nas estrelas, filme de ação e aventura intergalática, Luke, é um garoto comum da área rural que, por acaso, intercepta um pedido de ajuda de uma bela princesa. Logo, Luke sai em uma jornada para resgatar a garota, gerando três dos filmes mais populares jamais produzidos. Guerra nas estrelas (1977) tinha os mais incríveis efeitos visuais da época e fez de George Lucas um gigante de Hollywood. A trilogia de Guerra nas estrelas alimentou a imaginação de duas gerações. No mundo do entretenimento, Guerra nas estrelas consiste na trilogia e nos três episódios anteriores, mais dezenas de romances derivados e milhares de brinquedos, álbuns de figurinhas, paródias e lancheiras. A fábula dominou de tal forma o panorama cultural que seu vocabulário e imaginário invadiram até a política internacional.

Vivenciamos tanto a aventura do herói quando a expectativa do final da história, enquanto acompanhamos o jovem Luke (interpretado por Mark Hamill) em sua busca pela aprovação do pai. A essência do enredo é que Luke é ajudado por um velho sábio a resgatar a princesa e salvar a galáxia do Império do mal e de seu principal servidor - o pai de Luke, o perigoso Darth Vader. Luke tem de escolher entre lutar contra seu pai ou se unir a ele. O tema psicológico da história é o conflito essencial entre pai e filho, descrito por Freud. "Todo garoto deve entrar em confronto com algum tipo de figura paterna se quiser realmente atingir a maturidade." Mas a história não trata de uma simples sessão de psicodrama. Inspirada pelo trabalho do renomado estudioso de mitologia Joseph Campbell, a história segue o caminho clássico comum a contos populares de todo o mundo. Luke não é simplesmente um personagem substituível, ele é todos os heróis.

A fórmula é universal: Primeiro, alguma coisa motiva a aventura - uma razão para deixar o mundo com o qual o herói está acostumado. Depois, há a ajuda sobrenatural. Então, várias provações e novos amigos pelo caminho. Finalmente, um confronto face a face com o inimigo... e a vitória. O herói volta para casa triunfante, trazendo algum tipo de recompensa - comida, riquezas, mágica, um presente de casamento ou uma princesa.

Os filmes ainda têm um segundo tema: a viagem espiritual de Skywalker. Em termos religiosos, a jornada do herói é deixar o mundo cotidiano, entrar no domínio dos deuses e retornar com um poder mágico. Luke aprende a usar a "Força", uma energia criada por seres vivos e um aliado poderoso. Revelada por Obi-Wan Kenobi, um mestre das artes místicas, ela conduzirá Luke com segurança pelos perigos, permitirá que ele fale com os mortos e o guiará nos combates.

Na cena apoteótica do primeiro filme, Guerra nas estrelas, o computador de Luke era o alvo mais crucial. Luke não pode mais contar com o computador e deve usar sua intuição - a Força - para dar o tiro que leva à vitória.

Mas o inimigo é persistente e, no segundo filme, O império contra-ataca, Luke é treinado por um Mestre ainda mais velho, Yoda, para dominar completamente a Força e suas outras utilidades: levitar objetos, voar e telepatia.

No último filme da trilogia, O retorno de Jedi, Luke confronta o chefe de seu pai, o imperador do mal. O Lorde Vader precisa se sacrificar para salvar seu filho e Luke emerge como um adulto formado, em harmonia com o mundo espiritual e seguro de seu próprio destino.

No mundo real da década de 1980, o presidente Ronald Reagan referiu-se à União Soviética como o "Império do Mal" e gastou bilhões de dólares em um sofisticado sistema defensivo chamado "Guerra nas Estrelas", que pode pelo menos levar os créditos pelo fim da Guerra Fria. Guerra nas estrelas, por meio dos programas militares que inspirou, derrotou a União Soviética, não pelo combate, mas empurrando-a para a falência.

Intuição, no sentido de Guerra nas estrelas, pode ser a faceta mais importante e, ao mesmo tempo, mais ignorada de nosso mundo orientado para máquinas. Quando é que você tem tempo de olhar além do racional, do dia-a-dia, para ver o que realmente o cerca? Confie em seus sentimentos, em seus "instintos". Mesmo no âmbito da ciência, você precisa saber quando seu equipamento não está funcionando direito. Somos obcecados pela alta tecnologia, mas alguns poucos sensores disfuncionais podem causar o derretimento de um gerador nuclear, e um pedaço de material isolante pode destruir um ônibus espacial de bilhões de dólares e seus tripulantes.

Skywalker, com o poder da Força, sabia quando podia usar seu computador e quando deveria ignorá-lo. E nós, sabemos disso?

Talvez você não saiba...

Em pesquisa em três livrarias de Nova Jersey em 2005, um dos autores descobriu que os livros de Guerra nas Estrelas ganhavam mais espaço nas prateleiras do que escritores de ficção científica já famosos, mais espaço até que os livros de Asimov, Bradbury e Heinlein juntos.

Para saber mais, leia:

O herói de mil faces, de Joseph Campbell
Manual de intuição prática, de Laura Day.
As máscaras de Deus: mitologia ocidental, de Joseph Campbell.
Star Wars: The Magic of Myth, de Mary Henderson.
A trilogia da Fundação, de Isaac Asimov.



(texto publicado no livro As pessoas mais importantes do mundo que nunca viveram de Allan Lazar, Dan Karlan, Jeremy Salter)

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Cinderela (ou como superar velhas crenças)


A história de Cinderela, essa inocente vítima da opressão, tem sido, com pequenas variações, parte de toda e qualquer cultura. Ela pode ter surgido no passado distante entre os chineses, cujos aristocratas apreciavam pés pequenos. A versão popular hoje em dia foi transcrita da tradição oral nos anos 1600 por um francês, Charles Perrault, e transformada em filme por Walt Disney, em 1950.

A influência prejudicial de Cinderela lançou uma sombra sobre nós. Ela personaliza uma distorção da realidade, a realidade na qual se espera que nossas recompensas sejam merecidas.

Uma das características sinistras da história é a ideia de que as madrastas são más. Na verdade, não podemos nem pensar na palavra "madrasta" sem mentalmente acrescentar o adjetivo "má" a ela. Além disso, Cinderela reforça a mentalidade passiva daqueles que aceitam sua carga de opressão na vida enquanto esperam que forças místicas venham a seu auxílio.

No final, Cinderela se torna uma princesa e perdoa sua madrasta e as irmãs adotivas opressoras, apesar de sabermos que elas deveriam ser processadas por abuso infantil.

Cinderela é patética, mas nos apaixonamos pela ideia de que a tonta vencerá no final. Para esse fim, uma fada madrinha lhe dá roupas elegantes para que ela consiga atrair os olhares do príncipe que, por acaso, está justamente procurando uma mulher para se casar. Enfeitada com suas roupas espalhafatosas e jóias vistosas, Cinderela chama sua atenção em um baile onde não é nada além de um cabide de roupas. Ela não fez nada para merecer as atenções. Ela não merece nada, exceto, talvez, o salário mínimo em casa. E, mesmo assim, consegue fazer com o príncipe se case com ela. Não é essa a lição que deveríamos ensinar às nossas crianças. Há valores mais importantes do que boa aparência, roupas finas e enfeites caros - inteligência, independência, auto-estima, responsabilidade e automotivação - e nenhum deles caracteriza Cinderela.

Vamos deixar a mentalidade da Cinderela de lado e apresentar às crianças os valores genuínos na vida, isto é, que elas precisam merecer suas recompensas. E, enquanto fazemos isso, vamos nos livrar da atitude de que somos malvados se gritarmos para nossos filhos: "Arrume o seu quarto!".

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É uma velha história:

A fábula originou-se na China mais ou menos no ano 960, em The Miscellaneous Record of Yu Tang (O variado registro de Yu Tang), por Tuan Ch'eng-Shih.



(texto publicado no livro escrito por Dan Karlan, Jeremy Salter e Allan Lazar As pessoas mais importantes do mundo que nunca viveram com tradução de Cristina Yamagami)

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Star Wars: a amizade de Joseph Campbell e George Lucas


É difícil falar sobre Star Wars de forma objetiva, mas é um fato que George Lucas em seu inicio fez algo extraordinário e é importante lembrar uma de suas maiores influencias ao criar este universo que nos remonta a emoção do natal quando crianças. A relação de George Lucas com o renomado mitólogo e escritor Joseph Campbell é de conhecimento público. Autor de vários livros e vasto conhecimento étnico e cultural, Joseph Campbell desenvolve o conceito “Monomito”.

O Monomito pode ser definido como a repetição de temas mitológicos a través do tempo se utilizando dos mesmos “elementos narrativos” e como o próprio Campbell nos diz “esses mitos têm sido a viva inspiração de todos os demais produtos possíveis das atividades do corpo de da mente humanos”.

Um bom amigo não teve contato com a trilogia original me disse pouco depois de ver o Episódio IV: Uma nova esperança; “Parece um conto de fada” observação que me pareceu interessante, pois os mitos e os contos de fada a pesar de suas diferenças bebem da mesma fonte sendo esta a psique, porém existe uma diferença entre ambos como nos diz Von Franz:

“Nos mitos, lendas ou qualquer outro material mitológico mais elaborado, atingimos as estruturas básicas da psique humana através de uma exposição do material cultural. Mas nos contos de fada existe um material cultural consciente muito menos específico e, consequentemente, eles espelham mais claramente as estruturas básicas da psique” (Franz, 1990).

Isto pode ser observado com facilidade no primeiro filme (Episódio IV) que já que nos apresenta alusões históricas, sociais e visuais difíceis de serem ignoradas. Tais alusões nos mantêm ancorados a um “passado distante e ao mesmo tempo não tão distante” que conseguimos identificar, enquanto a fantasia nos transporta a um “Há muito tempo em uma galáxia muito distante…”. A pesar que esta frase inicial nos remeta a um conto de fadas.

O relacionamento entre Joseph Campbell e George Lucas foi posterior a elaboração da trilogia original, sendo que o primeiro jamais havia visto a saga até que George Lucas insistiu.

“Alguns anos depois de seu primeiro encontro, o tempo finalmentete chegou para que Lucas mostrasse a Campbell seu trabalho. Lucas conta aos biógrafos de Campbell: “[…] Em algum momento falei sobre Star Wars, e ele ouvira falar sobre Star Wars”. Disse-lhe “Você tem algum interesse em assisti-las?” Nesse tempo já tinha concluído os três filmes. Ele disse “Assistirei as três”. Eu disse “Você gostaria de assistir uma por dia?” porque ele ficaria uma semana mais ou menos. “Não, não, quero assistir todas de uma vez”” (O.Seastrom, 2015).

O contato inicial de Lucas com Campbell foi a través de seu livro mais famoso “O Herói das mil Faces” o qual foi produto de seus estudos sobre antropologia na universidade. Assim temos a aventura do Herói da qual Campbell escreveu de forma extensa retratada com clareza na trilogia original.

Se Campbell tinha razão sobre a maneira como os mitos nos falam de forma tão intima podemos ver na explosão que surge de Star Wars trás sua estreia em 1977, tendo uma legião de fãs fiéis e entusiastas casuais.

A estreia do novo filme (Star Wars Episódio VII) percebe-se o renascimento deste fenômeno assim como também uma atualização do mito se adequando ao momento específico no qual vivemos, mas também observamos que os escritores, seja por respeito ao espírito da historia ou por medo, repetem vários elementos notáveis do Episódio IV.

Isto é algo que já foi observado nos filmes anteriores (Episódio I, II, III) se referenciando a trilogia original de forma notável na direção e argumentação, situação da qual Lucas fala abertamente, se referindo à Saga como música e posteriormente como poesia por seu ritmo e variações (Klimo, 2014).

Campbell nos deu um modelo com vários elementos importantes que compõem a narrativa do mito do Herói e considerando Star Wars um mito criado de forma “consciente” nos permite ver o Episódio VII com olhos mais contemporâneos além de apresentar o Universo para uma geração que precisa de tal contextualização para compreender a historia que vem sendo contada.

Além disto, Star Wars propõe que o espaço é o cenário perfeito para que novos mitos e historias se desenvolvam. Sendo o espaço o novo “Grande Desconhecido” de nosso século. Entendendo o caráter mítico em Star Wars podemos nos distanciar das tecnicidades cientificas e abraçar a linguagem Simbólica coisa que também parecia estar claro para Campbell:

“Contemplar o céu estrelado é se contemplar a nível mítico. Enquanto o avance continuo da ciência redefine nosso entendimento do cosmos certamente nossa perspectiva mítica também deve mudar” (Campbell, Joseph apud O.Seastrom, 2015)

A amizade entre George Lucas e Joseph Campbell me parece de respeito mutuo. Posteriormente sabemos que Lucas apoiou financeiramente os documentários “O Poder do Mito”, além de ceder o Rancho Skywalker para a filmagem. Vemos cenas e comentários de Campbell sobre Star Wars em alguns momentos do documentário como exemplo mais claro deste relacionamento.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

As quatro pontes para se libertar do medo - Roberto Shinyashiki


Para que você se veja livre da espada que paira sobre sua cabeça e viva de maneira mais leve e criativa, observe, confie, tenha alto astral e deixe a vida fluir.

Dando prosseguimento à matéria sobre o medo que tomou conta de Dâmocles (e toma conta de muitos de nós) diante das responsabilidades que nos levam à preocupação e à infelicidade por falta de fé, vamos construir as quatro pontes que aumentam a confiança e nos fazem perder o medo de sofrer.

Primeira ponte: observação

Antes de reagir ao medo que está sentindo, você deve observar: o que está acontecendo? Existe uma ameaça?

Não aja precipitadamente, pois pessoas com medo machucam quem está por perto, fogem ou atacam, e seus surtos de irritação quase sempre decorrem da insegurança.

A consciência é a melhor forma de sair do círculo vicioso medo-ataque-medo.

Portanto, não procure relaxar a respiração, pois isso aumentará a tensão. A palavra "angústia" vem do termo "contração". Simplesmente observe e fique em contato consigo mesmo por alguns minutos.

A seguir, comece a verificar seus pensamentos: o que está acontecendo em sua mente? Nossas reações nascem de nossos pensamentos; se eles forem negativos, produzirão ações que, depois, provocarão arrependimento.

Seus pensamentos irão se realizar. Portanto, esteja atento a eles: se neles existirem desgraças, elas acontecerão; se neles existir felicidade, é a felicidade que brotará.

Observe suas ações. A maioria das pessoas age sem consciência e somente tem noção dos seus atos depois que não restou outra saída senão o arrependimento. Arrepender-se e desculpar-se são atitudes generosas, mas o melhor é evitar que sua impulsividade provoque estragos.

Segunda ponte: confiança e fé. Acredite!

Quando você deixar que a vida tome conta, começará a perceber o quanto tem sido abençoado. Libertar-se do medo é como pular de um trampolim. Quando você se entrega, salta em direção à vida. Esse é o salto da fé.

Viver a ilusão de ter uma espada sobre a cabeça é como estar à beira do trampolim, mas não ter coragem de mergulhar. Adquirir essa coragem significa encarar a vida com todos os seus riscos, desfazer a assustadora visão de perigo por todos os lados.

A fé é a mais intensa ligação entre o plano espiritual e o material. Ela fornece uma força maior, capaz de nos levar à realização, à criação e à superação de nós mesmos.

Fé é diferente de esperança. A segunda convida a uma passividade que nos mantém presos a uma sensação de sermos vítimas do destino. A fé nos confere energia para agir, e é a certeza de que a vitória virá que nos dá força para batalharmos todos os dias.

Perceba que Deus o protege em todos os setores da sua vida. Quando ocorre a integração com o divino, você relaxa as tensões, se descontrai e aproveita melhor os momentos da vida.

Concentre-se inteiramente no que você faz, pois viver sem dúvida é a melhor de todas as metas, é abandonar o medo.

Não procure o sofrimento, mas, se ele fizer parte da conquista, enfrente-o e supere-o.

Terceira ponte: alto astral

Alto astral é energia positiva. É a capacidade de transcender aos acontecimentos dolorosos da vida.

Quem tem uma postura muito séria e carrancuda não deixa fluir a criatividade. A atitude positiva consegue transformar o pântano em jardim.

O pessimista acredita que eventos negativos têm origem em condições definitivas. Se perde a hora do voo é porque sempre dá azar com avião. Se o chefe elogiou, é porque queria que fizesse hora extra. Esse pessimista permite que uma decepção em determinada área de sua vida invada o restante dela.

O otimista, ao contrário, atribui uma falha a um motivo circunstancial. Para ele, as situações favoráveis são causadas por fatos permanentes: "Meu marido trouxe flores para mim porque me ama". Eles não permitem que um problema específico contamine as demais áreas de sua vida.

Comece a cultivar dentro de você o alto astral, o comportamento positivo; brinque com os reveses da vida, enfrente com bom humor até as situações mais complicadas.

O alto astral é uma forma de ver a vida. Portanto, é diferente do prazer. Quando falamos de prazer, inevitavelmente pensamos em sexo, comida, lazer. O alto astral é bem mais que isso. É um gesto de generosidade para com a vida, com os erros, com as dificuldades.

A seriedade leva ao julgamento; o alto astral à compreensão. Quando alguém está feliz, não perde tempo nem energia julgando os outros.

Quarta ponte: fluidez

Fluidez é uma característica relacionada à sua capacidade de ser espontâneo e levar a vida com facilidade, deixando tudo transcorrer naturalmente, como a água cristalina de um riacho.

Fluir é atravessar espaços vazios para realizar encontros. Muita gente quer ser dona da vida alheia e acaba provocando tensão ao seu redor.

Não existe uma verdade única, mas muitos caminhos, diversos pontos de vista para a mesma questão.

Quando os Dâmocles fluem, percebem, por exemplo, que a pessoa amada não os está rejeitando, que o distanciamento é apenas aparente. Notam então que é timidez, dificuldade de expor sentimentos. Cabe a eles brincar com o mal-entendido, fluir ao encontro do outro.

No sexo, o outro é a porta da vida. Flua através dele.

Você precisa aprender a terça a força da água, que, como não é dura como a pedra, sempre chega aonde quer pelos caminhos alternativos que encontra, amoldando-se às situações sem perder sua natureza e suas características.

O medo é uma cortina que impede a pessoa de enxergar o arco-íris da vida! Rasgue essa cortina e veja quantas maravilhas existem ao seu redor. Observe quantas pessoas o admiram e quantas são mais felizes porque você as ajudou.

Lembre-se: você é sensacional e eu sou seu fã!



(texto publicado na revista Sempre Jovem nº 16 - Ano V - 2015)

Síndrome da Cinderela moderna (Super Dicas Femininas)


O direito a mentir e a felicidade - Samuel Sabino


Todo mundo mente. Algumas pessoas chegam a achar que a mentira é necessária e sustenta grande parte do convívio social. Normalmente apenas se diria que a mentira é má ou errada, mas o problema é que ela existe em situações ambíguas; onde há benefícios e malefícios, seja para o indivíduo mentiroso ou para o grupo enganado. A felicidade pode advir de uma mentira. Nada é preto no branco e é aí que entra a discussão ética, pois todos também querem ser felizes.

Não é esse o film último da humanidade, buscar a felicidade? Isso levanta dúvidas difíceis de responder como: mentir é certo ou errado? Quando nos voltamos aos líderes, sejam eles de governos, de empresas, de grupos sociais, ela toma proporções ainda mais complexas, podendo constituir crime ou mesmo sustentar as crenças de muitos.

Em alguns casos específicos a mentira pode até mesmo ser aceita pela perspectiva ética. Obviamente quando existir com a finalidade de manter a dignidade, não ferindo a lei ou visando proteger a vida, por exemplo. Se uma pessoa chega à minha casa, fugindo de um criminoso que quer lhe fazer mal e eu a escondo, quando questionado pelo criminoso se ela estaria lá, especificamente nesse caso eu mentiria. A maioria das pessoas mentiria.

Não e´que haja mentiras boas ou mentiras más, exatamente. Existem consequências da mentira, e elas são boas ou más para um determinado número de pessoas e valores. Nesse caso, o valor é a vida, como valor máximo, e a consequência é o bem-estar e a dignidade da pessoa escondida, aquilo que realmente se espera da vida. Percebe-se que em casos específicos, em prol da dignidade, a mentira é necessária.

Quando jogamos a mentira para a análise do olhar ético, ela assume essa dualidade. Se  ela tem como fim último apenas vantagens pessoais ou imediatas e ainda fera a lei, aí sim, podemos julgá-la como antiética, potencialmente ilegal e consequentemente uma ação negativa, ou propriamente ruim.

A mentira nesses termos pode levar a muitas consequências negativas para a sociedade, já que geralmente ela não envolve apenas uma ou duas pessoas. Ela é uma das posturas antiéticas mais comuns. Ela vem do desejo de ter vantagem sobre o outro - a tal da ética menos nobre ou que pensa apenas em si mesmo ou no menor grupo de pessoas.

Vivemos em uma sociedade onde a mentira se torna cada vez mais inaceitável, considerando, sobretudo, líderes que são responsáveis por guiar o povo ao engano. Isso se aplica muito a condição atual da política e sociedade brasileira, que enfrenta escândalo após escândalo, investigação após investigação. Além de ilegal, a mentira do líder tem consequências catastróficas se  tornada impune. Uma sociedade em que não se pode confiar está fadada ao colapso e isso começa por quem comanda.

Já na antiguidade, os filósofos gregos tinham como princípio que o ser humano era constituído de vícios e virtudes. Os vícios já nasciam com eles, enquanto que as virtudes eram ensinadas. Como seres viciosos, o erro, a mentira, a conduta inapropriada era algo natural, nos fazendo assim seres humanos incompletos; humanos para uma humanidade a se desenvolver.

Era através do esclarecimento que se aprendia e cultivava a virtude - extirpando so vícios quando identificados. Era através da virtude que se preservava a dignidade, pessoal e do próximo. Para Kant, filósofo da era moderna, isso era resultado de estarmos, como humanos, em uma menoridade moral. A maioridade viria com a prática ética. A saída de um estado para outro se dava exatamente no sentido de esclarecimento, verdadeira passagem para a maioridade.

Enquanto humanos, nossas condutas geralmente se baseiam em dois princípios fundamentais de motivação para a conduta: ou agimos por empatia ou por respeito ao mero princípio ético.

Quando agimos por  empatia, geralmente algum tipo de amor está envolvido e o fazemos por inclinação ao bem-estar do próximo. Quando fazemos por ética pura, o que está enredado é o pensamento racional por onde é possível aplicar a moral pelo respeito ao princípio, mesmo que não se ame os envolvidos.

É a moral quem verdadeiramente sustenta a sociedade. A guia da conduta, mesmo quando se faz necessária a mentira, é a moral interiorizada. A barbárie se esgueira quando a ética falha ao não ser convidada ao protagonismo.

É dever de todos acreditarem sobre suas mentiras, sobretudo, os líderes que carregam vidas de muitos em sua responsabilidade. Para eles, é de suma importância interiorizar a boa conduta, e do povo não tornar aceitável que se minta impunemente. A sociedade depende do peso e análise da ética, ou o futuro será a ruína.



(texto publicado no jornal Jornalzen nº 153 - ano 13 - novembro de 2017)

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Il saluto di Napoli a Pino Daniele


Pino Daniele ospite a Pinocchio per promuovere il minitour "Nero a Metá"


Entrevista com Pino Daniele (Medley)


Volte a gostar de si mesmo - Pe. Fábio de Melo


L'eterno Pino Daniele: Alleria e Dubbi non ho



Alleria (Allegria)



Dubbi non ho (Official Video)




Intervista con i ragazzi de Il Volo quando presentano il loro disco d'esordio (2010)


Il Volo 2016: 7 anni di 'O sole mio



Intervista con Giuseppe Maggio, attore protagonista del film "Un amore così grande"


Intervista con Giuseppe Maggio


Intervista con Giuseppe Maggio al Festival di Venezia)


Trailer del film "Un amore così grande" (partecipazione de Il Volo) - lancio il 14 febbraio 2018 (San Valentino)




Un amore così grande - Andrea Bocelli e Il Volo



Andrea Bocelli


Il Volo (Primo Concerto em Italia - Teatro Greco di Taormina - 2014)



Un amore così grande (trailer ufficiale) 




Dois exemplos de superação: Ed Sheeran e Andrea Bocelli


Ambos são exemplos de superação em relação à visão. Ed Sheeran sofreu bullying na escola por causa dos óculos e de uma operação mal sucedida em um dos olhos. Andrea Bocelli, por sua vez, nasceu com glaucoma congênito e perdeu totalmente a visão após um golpe na cabeça durante uma partida de futebol aos 12 anos. 


Perfect Symphony (Ed Sheeran e Andrea Bocelli)


Perfect (Official Video)


Il mare calmo della sera - Vincitore nella categoria Nuove Proposte al Festival di Sanremo 1994








domingo, 10 de dezembro de 2017

Os astros e o poder


A astrologia deveu sua prosperidade no período renascentista pelo menos em parte à Igreja e ao estímulo positivo que recebeu de diversos papas. Disse-se que uma das razões de Lutero para se opor tanto à astrologia foi o fato de ela se encontrar tão em moda no Vaticano.

Os primeiros papas a se dedicarem ativamente à astrologia foram Sisto IX e Júlio II. O sucesso de Júlio, Leão X, levou um grupo de astrólogos para a corte papal, a fim de aconselhá-lo durante o seu reinado. Paulo III (1438-1549), o primeiro papa da Contra-Reforma, usava astrólogos para determinar as horas para o seu consistório. Mesmo Urbano VIII (1568-1644), que emitiu uma bula contra alguns aspectos da astrologia, continuou como patrono de astrólogos isolados, que o auxiliavam nas suas intrigas políticas particulares.

O exemplo dado pelo papado foi seguido nas principais cortes da Europa. Na Inglaterra a Rainha Elizabeth I aconselhava-se diariamente com o extraordinário Dr. Dee, e Cristiano IV da Dinamarca, Sigismundo III da Suécia e Frederico da Boêmia também utilizavam astrólogos de corte.

Um médico francês, Nostradamus, tornou-se o profeta de sua era após predizer a morte, num torneio, do rei francês Henrique II, quatro anos antes de acontecer. A viúva do rei, Catarina de Médicis, levou-o para o seu círculo cortesão. Nostradamus, porém, era mais necromante do que astrólogo, e consta que conduziu uma sessão espírita com a rainha que durou o tempo de 45 noites consecutivas. Conseguiu finalmente conjurar um espírito que mostrou a ela o seu futuro. A rainha viu cada um de seus três filhos passar rapidamente por um espelho, uma vez para cada ano que reinariam. Depois seu enteado, o protestante Henrique de Navarra (futuro Henrique IV), passou ante seus olhos 23 vezes, muito chocada. Catarina imediatamente suspendeu a perturbadora experiência, não desejando mais repeti-la.



(texto publicado no livro O grande livro da astrologia - Derek e Julia Parker)

sábado, 9 de dezembro de 2017

Diário de Roma - Roberto Pompeu de Toledo


Dias em que o princípio de outono se contamina de um rabicho de verão. Céu de um azul absoluto, noites frescas. Como o colunista também é filho de Deus, coube-lhe, ainda por cima, chegar em dia de lua cheia. O motorista do táxi, ao dar com ela numa curva, confessa-se um enamorado de la luna. Já a fotografou em diversas fases. Conta que uma vez a surpreendeu, em seu esplendor, sobre o Coliseu, e lamenta que naquela época ainda não andasse com o celular a postos para tais emergências. A lua e o Coliseu conhecem-se há 2000 anos, prepararam para o motorista aquele encontro glorioso e ganharam a recompensa de ter o momento gravado em sua memória.

A exemplo do Rio de Janeiro em seus momentos mais críticos, Roma tem militares nas ruas. Dobram com os carabinieri o cuidado de dar proteção às levas de turistas. No Pantheon uma bonita soldada, junto a um carro de combate, mantém o dedo no gatilho da submetralhadora. Os soldados têm sempre o dedo no gatilho. Os carros de combate fazem posto, no centro histórico, como se fossem táxis. Os turistas estão em toda parte. No imenso monumento a Vittorio Emanuele II, com seus muitos e altos patamares, no modelo do bolo de noiva, as multidões que vêm e voltam, avançam e recuam, sobem e descem pelas muitas escadas, corredores e terraços repetem, vistas de longe, o formigueiro humano de Serra Pelada.

Na feira da praça de San Cosimato, bairro do Trastevere, a vendedora de frutas e uma cliente conversam sobre o papa Francisco. "Ele é humano, um homem disponível", diz a vendedora. Faltou dizer que Francisco é também divertido. Com base numa expressão popular argentina, ele enriqueceu a língua italiana com o neologismo balconare la vita. O significado é passar a vida num balcão, só a observar do alto e criticar os outros, sem se envolver. Francisco usou a expressão já duas vezes, em dias recentes, para criticar os que "balconam a vida". Trata-se, segundo o escritor Paolo Di Paolo, em artigo no jornal La Repubblica, de uma expressão feliz, das que "não se limitam a descrever as coisas, mas as tocam e as fazem existir de modo diverso, deslocando a perspectiva de quem escuta".

O Catar, não contente em comprar Neymar, comprou também o Estado Maior da Defesa Italiana. A oportunidade para a segunda aquisição surgiu quando o Estado-Maior da Defesa mudou de seu antigo endereço para um novo complexo do Exército. Com isso ficou vago o histórico Palácio Caprara, com mais de 100 cômodos, e o Catar apressou-se em comprá-lo, para ali instalar sua embaiada. Antes, a embaixada dos Emirados Árabes Unidos também se mudara para um prestigioso edifício, agora exibido com exuberância de luzes na praça da Croce Rossa, e assim os novos potentados do Golfo avançam sobre os signos da riqueza dos velhos donos da Cidade Eterna. Não chegam a se igualar à França, cuja embaixada ocupa o Palácio Farnese, a mais bela das casas da nobreza papal; não chegam nem mesmo a se igualar ao Brasil, cuja bandeira enfeita a fachada do Palácio Pamphili, na Praça Navona, mas descobriram a importância dos palácios romanos como instrumentos de poder, ao lado dos times e jogadores de futebol.

No Campo dei Fiori a estátua do pobre Giordano Bruno é sitiada por todos os lados pelos toldos das barracas do mercado permanente que existe no local. Só se vê a cabeça, coberta pelo capuz do monge dominicano que um dia ele foi. Hoje o Campo dei Fiori, uma ampla e animada praça no centro de Roma, celebra a vida, com sua constante oferta de queijos, salames, frutas, temperos. Já foi celebração da morte, ao tempo em que ali se queimavam criminosos e hereges, entre os quais o mais célebre foi Bruno, filósofo que ousou transgredir os dogmas católicos e, não bastasse, defendeu, com seus prestígio de astrônomo, a tese de que no espaço coexistiam diversos mundos. O Campo dei Fiori ilustra as , digamos, errâncias do erro. Em 1600, quando foi morto, o erro era de Bruno, ao pensar fora dos trilhos da Contrarreforma, em 1889, quando se levantou uma estátua em sua memória, o erro passou a ser de seus algozes.

Em contraste com o motorista atento à lua sobre o Coliseu, incluem-se entre os romanos massas incontáveis de distraídos. O ônibus que os traz do trabalho passa pela Coluna de Trajano e nenhum passageiro dá um grito de espanto. Contorna as Termas de Caracalla e não há quem emita um mísero "oi". Encosta rente à Domus Aurea, passa ao largo das ruínas dos foros imperiais, dá de frente com os arcos do Teatro de Marcello, e ninguém desmaia de emoção, ninguém se estrebucha, ninguém sequer morre! Entre nós brasileiros uma padaria que se alardeie "desde 1960" é uma relíquia histórica. Contada aos milênios, a história nos assombra e nos esmaga.


(texto publicado na revista Veja edição 2552 - ano 50 - nº 42 - 18 de outubro de 2017)